Dar descarga após evacuar é um gesto automático para a maioria das pessoas, assim como é comum sentir nojo do próprio excremento, no entanto, ter o hábito de observar diariamente as fezes pode auxiliar a identificar alterações no sistema digestivo e até doenças.

Além da frequência da evacuação, o formato, a cor e o odor das fezes também dão indícios de como anda a sua saúde. O processo de digestão está interligado desde que o alimento é colocado na boca – com a mastigação, que deve ser feita em pequenas porções e devagar – até a eliminação do bolo fecal, após ser processado pelo suco gástrico e pelas enzimas digestivas.

Alguns fatores podem interferir na qualidade, na composição e na frequência das fezes, tais como:

– mudanças alimentares;

– dietas restritivas;

– ingestão de álcool;

– medicamentos;

– alteração hormonal;

– estresse;

– doenças sistêmicas;

– inflamações intestinais;

– tumores no tubo digestivo.

 

COMPOSIÇÃO DAS FEZES

Basicamente, as fezes são compostas de 75% de água – por isso a ingestão de, pelo menos, dois litros de água diariamente é tão importante – e 25% de componentes sólidos, entre eles, restos de alimentos (principalmente fibras, sal, celulose etc.), secreções e micro-organismos (como bactérias e fungos) que são fundamentais para a manutenção da flora intestinal e o funcionamento correto dos intestinos.

 

TIPOS DE FEZES DE ACORDO COM A ESCALA BRISTOL

Desenvolvida pelo Dr. Ken Heaton, na Universidade de Bristol, e publicada inicialmente no Scandinavian Journal of Gastroenterology, em 1997, a Escala de Bristol de Fezes foi criada para identificar e classificar em sete categorias os tipos de fezes dos seres humanos, facilitando  a pesquisa de doenças ou problemas digestivos / intestinais e melhorando a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde.

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– Tipos 1 e 2 indicam trânsito intestinal lento, tendência à constipação e alimentação pobre em fibras.

– Tipos 3, 4 são aceitáveis, sendo o tipo 4 o mais saudável e ideal.

– Tipo 5 pode ser sinal de trânsito intestinal acelerado, alimentação rica em carboidratos e gorduras, merecem atenção principalmente se não apresentarem bordas definidas e boiarem.

– Tipos 6 e 7 são consideradas diarreias, sinais de trânsito intestinal acelerado, prejudicando a absorção de água e nutrientes. Pessoas que apresentam fezes desses tipos devem procurar um médico.

 

FREQUÊNCIA CORRETA

A frequência das evacuações varia de acordo com a idade e os hábitos de cada pessoa, o ideal é defecar diariamente, e que haja uma constância, ou seja, se você sempre evacua duas ou três vezes por dia, esse é o seu padrão. Alterações na frequência devem ser investigadas, assim como longos períodos ou repetições de constipação, o famoso “intestino preso”.

Principais causas de constipação:

– Dietas pobres em fibra e ricas em açúcares e gorduras saturadas;

– Baixo consumo diário de água;

– Sedentarismo;

– Estresse, ansiedade e outras alterações emocionais;

– Adiar a ida ao banheiro.

 

OUTRAS ALTERAÇÕES NAS FEZES

Algumas mudanças de padrão do bolo fecal devem ser investigadas clinicamente caso sejam recorrentes.

Fezes em fita: Fezes em formato de segmento fino e longo podem indicar câncer de cólon (principalmente se houver sangramento) ou síndrome do intestino irritável.

Vermes: Parasitas podem estar presentes no cocô de pessoas infectadas. Alguns sintomas indicam infecção por vermes, são eles: dor abdominal, inchaço na barriga, excesso de gases, cansaço sem razão, coceira no ânus e diarreia intercalada com constipação.

Alimentos não digeridos: Alguns alimentos como milho, feijão e vegetais fibrosos e ricos em celulose são mais difíceis de serem digeridos e, por isso, mais comuns de serem encontrados nas fezes. No entanto, a presença de muitos pedaços de alimentos nas fezes acompanhada por diarreia constante e perda de peso repentina requer atendimento médico.

 

DOENÇAS QUE PODEM SER DIAGNOSTICADAS POR MEIO DAS FEZES

Como vimos, a observação das fezes pode apontar a presença de problemas de saúde, tais como:

– Doenças biliares;

– Doenças hepáticas;

– Presença de parasitas;

– Doença de Crohn;

– Fibrose cística;

– Síndrome do intestino irritável;

– Doença celíaca;

– Intolerância à lactose;

– Infecções e inflamações no tubo digestivo;

– Úlceras e varizes gástricas;

– Cânceres nos intestinos.

 

 

O corpo humano tem muitas formas de se mostrar saudável ou doente, e não devemos ignorar seus sinais. Por isso, não veja suas fezes apenas como excremento e, ao menor sinal de alteração que persista por três dias ou mais, busque atendimento médico.