“Dor de estômago” é a maneira genérica de denominar diversos problemas estomacais e até em outros órgãos do tubo digestivo. A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é responsável por grande parte das reclamações de dor no estômago, pois o problema atinge mais de 20% dos brasileiros. A DRGE é causada pela “volta” do suco gástrico ao esôfago – causado por uma má formação no músculo do esôfago.

Pelo seu caráter ácido, ao atingir a mucosa do esôfago, o suco gástrico causa sensação de queimação. Por isso a azia é um dos sintomas mais relatados por quem sofre de refluxo gastroesofágico. Para tratar esse sintoma, muitos pacientes recorrem aos antiácidos, como sal de fruta e compostos com magnésio ou alumínio. Estes, normalmente, oferecem alívio rápido, mas no entanto, podem causar outros problemas de saúde quando usados sem controle. Afinal, os antiácidos são medicamentos paliativos e não tratam a causa do problema, sem agir na causa dos sintomas.

 

O QUE É O SAL DE FRUTA E POR QUE ELE PODE PÔR SUA SAÚDE EM RISCO?

O sal de fruta é formado por um sal, o carbonato de sódio (Na2CO3) ou bicarbonato de sódio (NaHCO3), presente em algumas frutas, como limão e laranja. Esses sais são compostos químicos de caráter básico, ou seja, capazes aumentar o pH de substâncias ácidas, como o suco gástrico. Por isso são chamados de antiácidos. O seu efeito no organismo é quase imediato, por isso, o sal de fruta pode ajudar no alívio dos sintomas.

A apresentação desse antiácido é em pó ou em comprimido efervescente e pode ser tomado até duas vezes ao dia (quando houver desconforto e queimação), por até 14 dias consecutivos. O uso indiscriminado de sal de fruta pode reduzir a produção de saliva, causar flatulência, eructação, distensão abdominal, irritação gastrointestinal e prejudicar o funcionamento dos rins. Este último efeito colateral é grave e pode pôr em risco a saúde de quem apresenta algum problema renal.

É importante lembrar que bebidas com gás muitas vezes, dependendo da quantidade e da forma como é tomada, gera uma necessidade de eructação, o que é problema, porque isso também aumenta o refluxo.

 

 

HIDRÓXIDO DE MAGNÉSIO, CARBONATO DE MAGNÉSIO E HIDRÓXIDO DE ALUMÍNIO TRAZEM BENEFÍCIOS?

Outras fórmulas muito usadas contra azia a acidez estomacal são compostos de hidróxido de magnésio [Mg(OH)2], carbonato de magnésio [MgCO3] e hidróxido de alumínio [Al(OH)3]. Estes também são bastante eficientes para aliviar a azia de quem sofre com doença do refluxo gastroesofágico. Entretanto, assim como o sal de fruta, não devem ser utilizados por longos períodos. Esses compostos podem ter efeito laxante e causar náuseas dores abdominais e não devem ser usados por gestantes, e, principalmente, por pessoas com doenças renais.

 

OMEPRAZOL: UM MEDICAMENTO CONTROVERSO

O Omeprazol é o medicamento mais indicado para tratar a DRGE, mas recentemente sua fórmula voltou a ser debatida por causa de possíveis riscos. E esse debate envolve químicos, farmacêuticos e diversas entidades ligadas à área da saúde.

O Omeprazol, ao contrário do sal de frutas, é um medicamento e, como tal, deve ser indicado por um médico. Ele é receitado no tratamento de doenças como esofagite, refluxo, gastrite e acidez estomacal, pois auxilia na redução da acidez do estômago, além de proteger a mucosa estomacal, regenerando e cicatrizando lesões. Portanto, também é eficiente na prevenção de úlceras e de sangramentos gastrointestinais.

Os efeitos adversos do uso de Omeprazol classificados como graves atingem menos de 0,1% dos pacientes, mas não podem ser descartados. Em razão disso, Dr. Eduardo Usuy ressalta a importância de nunca tomar remédio sem acompanhamento médico e nem exagerar no consumo de sal de fruta. Vale lembrar também que para o sucesso do tratamento, o paciente também precisa mudar seus hábitos, alimentando-se de forma saudável, perdendo peso (quando necessário) e realizando os demais tratamentos indicados pelo médico.

 

Sal de fruta