A questão da liberação de drogas anorexígenas sofreu mais uma alteração com a aprovação do Projeto de Lei que impede a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a produção e a comercialização desses medicamentos. O projeto segue para sanção ou veto da Presidência da República. Se sancionado, o Projeto acabará com a proibição de produção e venda – em vigor desde 2010 – de derivados dos anorexígenos anfetamínicos (mazindol, femproporex e anfepramona), drogas utilizadas no tratamento contra obesidade.

Segundo a Anvisa, essa proibição se deu após o resultado de estudos científicos e do parecer da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme), que concluíram que tais drogas oferecem mais riscos que benefícios à saúde. Até a sanção, os únicos remédios para emagrecer permitidos são o orlistate e a sibutramina, cuja prescrição e venda são bastante rigorosas. Esses medicamentos possuem valor elevado, o que faz com que pessoas de baixo poder aquisitivo não possam iniciar ou dar continuidade aos tratamentos de perda de peso.

 

Remédios para emagrecer derivados dos anorexígenos: como funcionam – prós e contras

Os remédios para emagrecer são indicados para pacientes com a saúde em risco por conta da obesidade e que não respondem aos tratamentos iniciais, com dieta e exercícios físicos. Em um primeiro momento, é comum indicar medicamentos sacietóginos – sibutramina –, que apresentam efeitos menos radicais que os anorexígenos, pois agem dando sensação de saciedade, não interferindo diretamente no apetite, como fazem os anfetamínicos.

Um dos benefícios das drogas anfetamínicas é rapidez dos resultados, o que é importante em casos de pacientes em risco por conta da obesidade. Outro fator determinante é o custo de produção e valor final de venda, inferiores às drogas disponíveis atualmente.

Os medicamentos anfetamínicos, principalmente a anfepramona, costumam ser indicados quando não há respostas aos sacietóginos, pois eles agem diretamente na diminuição do apetite, podendo levar o paciente ao hábito de não se alimentar. Drogas anfetamínicas são proibidas para pessoas com problemas cardíacos, hipertensão, problemas neurológicos e distúrbios mentais, pois podem alterar a frequência cardíaca, a pressão arterial, causar insônia e provocar crises de ansiedade.

Como todo medicamento, os remédios para emagrecer anorexígenos apresentam indicações e contraindicações, cabendo ao médico prescrever a medicação e acompanhar o paciente durante todo o tratamento, a fim de controlar as doses com base nos progressos observados.

O que diz a SBEM sobre a liberação das drogas anfetamínicas

A luta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para participar das discussões e estudos que determinam a liberação ou a proibição de substâncias que utilizadas para tratar de problemas metabólicos é constante. Atualmente, a SBEM não é consultada antes das tomadas de decisão pela Anvisa ou por outros órgãos do governo federal, que costumam basear suas decisões em pareceres da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme).

Os membros da SBEM acreditam no enriquecimento das questões e em decisões mais acertadas do ponto de vista médico caso haja um maior diálogo entre as entidades ligadas à obesidade, pois a indicação de um ou outro medicamento ao paciente é responsabilidade de especialistas.

Para Dr. Alexandre Hohl, vice-presidente da SBEM Nacional, “A SBEM entende que diante do caminho escolhido para resolução do retorno da comercialização dos derivados da anfetamina no Brasil, a assinatura desse Projeto de Lei, pelo presidente exercício Rodrigo Maia, foi a melhor solução. Esperamos que, em futuras situações polêmicas, possamos debater de maneira mais intensa e profunda, precocemente, antes de buscar soluções políticas para questões relacionadas aos medicamentos no Brasil. No momento, cabe à indústria farmacêutica decidir pela retomada da produção comercial destes medicamentos, e isso será uma nova etapa”.

A Sociedade reforça a necessidade de um rigoroso controle na comercialização de medicamentos anorexígenos, incluindo ações contra a pirataria e o contrabando, e enfatiza que são drogas eficazes e seguras quando administradas com acompanhamento individualizado.

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