A automedicação é uma prática tão comum quanto perigosa. No Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o maior número de casos de intoxicação se dá por medicamentos ingeridos indiscriminadamente, sem prescrição médica. Entre os medicamentos mais usados deliberadamente estão os diuréticos, que são bastante perigosos quando tomados por conta própria, tanto pelos riscos de desidratação e alterações cardiovasculares que podem provocar quanto pelas interações medicamentosas – por exemplo: diurético associado a lítio (presente em algumas drogas para transtornos psicológicos) pode causar até alteração na tireoide e disfunção renal.

 

PRINCIPAIS FUNÇÕES RENAIS

No colégio, aprendemos que a função dos rins é, através dos néfrons, filtrar o sangue e excretar substâncias tóxicas ao organismo – produtos de degradação, como ácido úrico, creatinina, ureia e metabólitos. Com isso, são responsáveis pelo equilíbrio ácido-base e hidro-eletrolítico, além de regular a pressão arterial.

 

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Como o próprio nome diz, diuréticos são responsáveis por aumentar a diurese, ou seja, auxiliam os rins a eliminar excretar urina, água e sódio, principalmente, do organismo. No entanto, por aumentar a micção, elevam também a perda de outros minerais importantes.

Normalmente indicados no tratamento de doenças como insuficiência cardíaca, hipertensão, insuficiência renal e cirrose hepática, seu uso deve ser prescrito e acompanhado por um médico.

Há cinco classes de diuréticos, com ações diferentes: inibidores de anidrase carbônica; osmóticos; diuréticos de alça; tiazídicos; e poupadores de potássio. Os três últimos são os mais utilizados, por essa razão, falaremos deles a seguir.

Diuréticos de alça (furosemida):

Recebe esse nome por atuar na alça de Henle (porção do rim onde ocorre a reabsorção de água, sódio, potássio e cálcio). É a forma mais potente de diurético, capaz de aumentar em torno de 5000% a exceção de sódio, desse modo, é mais indicado para quem sofre de doenças que provocam retenção de sódio e líquidos – cirrose, insuficiência renal e/ou cardíaca congestiva e síndrome nefrótica.

Diuréticos tiazídicos:

É menos potente que a furosemida, provocando menor diurese, porém seu efeito dura cerca de 24 horas. Além de potencializar a exceção de sódio, também é vasodilatador, sendo, dessa forma, mais indicado em casos de hipertensão. Apesar da ação mais “fraca” que a furosemida, seu uso requer cuidados, pois pode aumentar a concentração de açúcar no sangue e o colesterol.

Diuréticos poupadores de potássio (espironolactona):

A única classe que não interfere na excreção de potássio, mesmo potencializando a diurese, é também a mais fraca em ação diurética. Assim, não é indicada em casos avançados de insuficiência renal, mas pode ser usada em associação com outro diurético.

 

EFEITOS DESEJADOS

Aumentar a diurese e a eliminação de substâncias nocivas ao organismo, auxiliando os rins, além de melhorar a excreção de minerais, como o sódio e o potássio, que, em excesso, representam um risco à saúde.

Entretanto, é preciso entender que esses minerais não são vilões, pelo contrário, eles são extremamente necessários para o funcionamento do corpo humano.

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A “bomba de sódio (Na+) e potássio (K+)” é responsável pelo transporte ativo de substâncias entre o meio e as células, sendo, portanto, fundamental para o funcionamento das células e o equilíbrio osmótico. A bomba de Na+ e K+ também tem como função realizar a processos de contração muscular e condução de impulsos nervosos e permitir a passagem de açúcares e aminoácidos pela membrana plasmática. O potássio tem ainda, ainda, importante papel na síntese proteica. Desse modo, o uso deliberado de diuréticos pode causar graves disfunções ao organismo.

 

EFEITOS COLATERAIS

Juntamente com a desidratação, especialmente perigosa em idosos, o uso de diuréticos pode causar outras reações adversas, tais como:

– hiponatremia (baixa concentração de sódio no sangue);

– hipocalemia (diminuição do potássio no sangue);

– hipercalcemia (aumento do cálcio no sangue);

– queda de pressão arterial;

– náuseas e tonturas;

– xerostomia (queda na salivação, que provoca sensação de boca seca);

– fotofobia (sensibilidade à luz);

– aumento da sede;

– taquicardia ou arritmia;

– câimbras ou fraqueza muscular;

– aumento da concentração de triglicedídeos no sangue;

– elevação do colesterol.

 

Não faça uso de diuréticos sem orientação médica, se você sente que precisa do medicamento para melhorar o funcionamento dos rins, para perder peso ou medidas porém nunca teve a recomendação de um profissional, procure um médico especializado para não colocar sua saúde em risco.