A gestação é um momento de realização para muitas mulheres e, por mais natural que seja, é preciso tomar alguns cuidados e estar sempre atenta aos sinais do corpo a fim de tratar corretamente quaisquer disfunções do organismo. As mudanças hormonais do primeiro trimestre preparam o corpo para gerar uma vida e provocam alterações radicais no organismo, entre elas, interferem na duração de processos digestivos – aumentando, por exemplo, o tempo que o bolo alimentar leva para passar do estômago ao intestino –, por isso, náuseas, enjoos e vômitos são tão comuns nesse período. Problemas digestivos, especialmente gástricos, são bastante comuns na gravidez e, mesmo que normalmente não representem doenças graves, deve-se atentar para os sintomas e tratá-los de acordo com indicações de um médico de confiança.

problemas digestivos durante a gestação

CUIDADOS COM PROBLEMAS DIGESTIVOS E GASTROINTESTINAIS DURANTE A GESTAÇÃO

O sistema digestivo não é o local onde as doenças mais comuns na gravidez (diabetes gestacional e infecção urinária geralmente acontecem, mas algumas ocorrências são constantes e podem ser bastante incômodas. A boa notícia é que as soluções, geralmente, são simples e efetivas.

Indigestão

A sensação de peso no estômago e/ou estufamento após cada refeição é ainda mais desconfortável quando se está grávida. Como não é indicado consumir medicamentos para aliviar esses sintomas sem indicação médica (alguns antiácidos contêm altos índices de sódio ou alumínio), o ideal é evitar o consumo de bebidas gasosas; fazer pequenas e leves refeições; evitar a ingestão de café, chocolates, citrinos e alimentos ricos em gordura ou açúcar.

 

Constipação intestinal

Prisão de ventre e dificuldades de evacuar são queixas constantes entre gestantes. A progesterona interfere em alguns processos digestivos, fazendo com que o alimento fique no intestino por mais tempo, causando ressecamento do bolo fecal, causando dor abdominal, inchaço e até hemorroida. Desse modo, é importante aumentar o consumo de fibras e ingerir ao menos dois litros de água por dia. A prática de exercícios aeróbicos leves, como caminhadas, é indicada.

 

Refluxo gastroesofágico

Azia e queimação podem ser sintomas de refluxo, assim como aumento de gases (arrotos), náuseas e inchaço abdominal. O refluxo é mais comum em gestantes que já tiveram esse problema anteriormente e costuma aparecer a partir da 27ª semana. A gestação exige atenção no tratamento do refluxo gastroesofágico, pois não se deve, por exemplo, tomar remédios à base de bicarbonato de sódio.  Outros cuidados são semelhantes aos da azia: evitar alimentos que aumentem os sintomas e ingerir pequenas porções em cada refeição.

 

Anemia

Durante a gravidez, há grande aumento no volume de líquido no sangue, sem que haja, no entanto, aumento das hemácias (responsáveis pelo transporte de oxigênio). Os sintomas mais comuns são: fraqueza, cansaço, tonturas, queda de cabelo, unhas fracas e palidez. Não é necessariamente um problema gástrico, mas pode ser tratada com uma dieta adequada e suplementação de ferro e ácido fólico.

 

Intoxicação alimentar

Com tantas mudanças no organismo, o sistema digestório fica mais suscetível a contaminações e intoxicações alimentares, e isso exige atenção especial aos alimentos consumidos crus (vegetais, ovos, leite não pasteurizado, peixes) ou mal passados. Na gravidez, uma simples intoxicação alimentar pode causar desidratação grave e pôr o feto em risco.

ATENÇÃO! A toxoplasmose é um pesadelo para as futuras mamães, devido ao perigo que representa ao feto. Por isso, ao engravidarem, muitas mulheres que têm gato de estimação se desfazem do animal, pois é comum culpar os felinos de serem vetores do Toxoplasma gongii, protozoário que causa toxoplasmose. Entretanto, é importante ressaltar que a contaminação por fezes de felinos é rara – ocorre somente se o animal estiver infectado (se não for vacinado e tiver contato com animais de rua) e se a gestante levar as mãos à boca após mexer nas fezes ou na caixa de areia do bicho. Para prevenir a toxoplasmose, é recomendável não ingerir alimentos crus ou carnes malpassadas, não consumir vegetais sem conhecer a procedência, higienizar bem os alimentos, lavar as mãos antes das refeições e não ter contato com gatos de rua ou de desconhecidos.

 

A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL DURANTE A GESTAÇÃO

O ganho de peso durante a gestação pode trazer consequências no desenvolvimento do bebê, problemas no parto e até obesidade infantil. Desse modo, os cuidados com a alimentação devem ser redobrados e a prática de exercícios leves ou moderados (sempre com acompanhamento profissional) é recomendada.

A fim de evitar incômodos e os problemas citados neste post, algumas mudanças nos hábitos alimentares são fundamentais:

– Realizar pequenas refeições mais vezes por dia;

– Evitar alimentos processados, ricos em açúcares, sódio e/ou gorduras;

– Não ingerir alimentos ácidos, muito picantes ou com temperos fortes;

– Não ingerir álcool, cafeína ou bebidas gasosas;

– Não fumar;

– Aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes (sempre muito bem higienizados);

– Aumentar o consumo de cereais integrais;

– Beber no mínimo dois litros de água por dia;

– Descansar (sem deitar) entre 15 e 20 minutos após as refeições, de preferência com as pernas elevadas.

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